Natal: Onde está o aniversariante?

Natal: Onde está o aniversariante?O que seria de uma festa de aniversário sem o aniversariante? Imagine se na data onde se comemora o seu nascimento os seus amigos e familiares fizessem uma festa sem a sua presença. Sem aniversariante não há aniversário. Assim também é o Natal, sem o Menino Jesus perde o seu verdadeiro sentido.
Para o Padre Evaristo Debiase, Assistente Eclesiástico da Ajuda à Igreja que Sofre (AIS), no Natal não se pode ignorar o homenageado principal. “Não existe um verdadeiro Natal sem um espaço especial para Deus, seria uma festa qualquer, menos Natal”. De acordo com o sacerdote o dono da festa nem sempre é convidado. “Nos esquecemos de que o Natal é Deus nos dando o seu único filho amado que vem ao nosso encontro para nos salvar”.
Outro aspecto da celebração do nascimento de Jesus Cristo que foi perdendo o seu significado é o dar presentes. “A dimensão da ternura, do amor e da família é que davam sentido ao presentear alguém no Natal, mas hoje se tornou um pouco comercial” revela Padre Evaristo. Ele destaca que quando a gente ama “inventa de dar presente” e que hoje é preciso resgatar o verdadeiro valor dessa ação. “É próprio do amor dar presentes e Deus que é amor perfeito nos presenteou com a dádiva do seu filho e por isso nós cristãos, e até a humanidade, sente no Natal um desejo de presentear aqueles que amam”, ressalta o padre.
As recordações do Natal em família
O Natal é de fato uma festa familiar que passa de geração em geração. É uma das celebrações mais comemoradas em todo mundo, até mesmo por aqueles que não são cristãos. “A família é o berço da vida, o santuário da existência, por ela passa o futuro da vida e da humanidade. O próprio Deus é família e quis se expressar em uma família”, reforça Padre Evaristo Debiasi.
O sacerdote lembrou o tempo em que a família Debiase se reunia para celebrar o Natal. “São das recordações mais belas que eu sonhava, a família inteira se encontrava, o vovô tinha uma cantina de vinho e reservava cantos de parreiras e convidava todos os parentes para festejar”.
Reconhecer o Menino Jesus nos mais necessitados
“O Natal não é só a recordação que há mais de dois mil anos Jesus nasceu na gruta de Belém”, observa Padre Evaristo. Para ele a celebração é o ápice de Deus vindo ao encontro do homem, fato que diferencia o Cristianismo das outras denominações. “Em todas as religiões do mundo o homem busca a Deus, no Cristianismo Deus busca o homem”, relata o padre. Esse ensinamento é um chamado para que o homem também parta ao encontro de Deus e também ao encontro do próximo. “Dar coisas é fácil, eu quero ver dar um pouco de nós”, enfatiza.
O Evangelho nos narra que quando Jesus veio ao mundo não encontrou espaço para nascer, pois ninguém acolheu a Família de Nazaré por isso Maria teve de dar a luz em uma estrebaria, mas hoje não é diferente afirma Padre Evaristo. “Ele continua à margem da vida mesmo dos cristãos quando celebram o Natal como uma festa, mas Ele não é lembrado”. E prossegue: “o Menino Jesus quer ser reconhecido, hospedado e abraçado nos mais feridos do mundo, se isto não é entendido não existe Natal existe uma festa no máximo afetiva, pagã, mas não o Natal de Jesus”, assinala.
Deus que se abaixa para o pobre elevar
A encarnação de Jesus Cristo tem um significado profundo para a humanidade, o Catecismo da Igreja Católica afirma que “o Verbo se fez carne para que, assim, conhecêssemos o amor de Deus” (CIC 458). O Natal é o momento oportuno para refletir sobre este gesto, observa Padre Evaristo Debiase. “No Natal eu busco debruçar na loucura do amor que Deus tem conosco, que abriu mão do seu único filho amado. Seria você capaz de abrir mão de um filho teu se o mundo precisasse?”.
Há mais de dois mil anos o Verbo se fez carne “para tornar-nos participantes da natureza divina” (CIC 460). “A celebração do Natal é o momento onde nós mergulhamos em Deus e Deus mergulha em nós, é o abraço da eternidade com a terra e da terra com a eternidade. O Divino e o humano se encaixam”, ressalta Padre Evaristo.
Deus desce a terra “para ser nosso modelo de santidade” (CIC 459), Ele assume a forma humana para realizar nela a salvação. Em uma de suas catequeses, em preparação para o Natal de 2013, o Papa Francisco recordou que Deus quis compartilhar a nossa condição, “a ponto de se fazer um só conosco na pessoa de Jesus”. O Santo Padre destacou que a encarnação do Filho de Deus não se concretizou em um mundo ideal, mas em um mundo marcado por situações boas e más. “Ele quis habitar na nossa história como ela é, com todo o peso dos seus limites e dos seus dramas. Agindo deste modo, demonstrou de modo insuperável a sua inclinação misericordiosa e repleta de amor pelas criaturas humanas”.
O Papa Francisco destacou também em sua catequese que no Natal Deus se revelou não como alguém que está no alto e domina o universo, mas como Aquele que se abaixa, “significa que para sermos semelhantes a Ele não devemos colocar-nos acima dos outros, mas ao contrário, abaixar-nos, pôr-nos ao seu serviço, tornar-nos pequeninos com os pequeninos, pobres com os pobres”, destacou o Pontífice.
No Natal o Divino veio ao encontro da humanidade. Jesus se fez servidor de todos, não veio “para ser servido, mas para servir e para dar sua vida em resgate por muitos” (Mt 20, 28). De acordo com o Catecismo “o povo de Deus realiza sua ‘dignidade régia’ vivendo em conformidade com esta vocação de servir com Cristo” (CIC 786).
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